A busca por inovação e desenvolvimento tecnológico sustentável tem gerado a criação de produtos e processos de preservação dos recursos naturais, prevenção de poluentes e redução de emissão de gases de efeito estufa, entre outros resultados. Também merecem atenção e investimentos dos bancos e agências de fomento à inovação a intensificação dos serviços de saneamento ambiental no país, com foco no tratamento e abastecimento de água e descarte de resíduos sólidos, acompanhado da criação de novas tecnologias de monitoramento ambiental e prevenção de desastres naturais. Para analisar esse contexto, o Grupo de Pesquisa Observatório de Inovação e Competitividade/NAP (OIC) do IEA organizou o seminário Panorama da Inovação em Sustentabilidade, que vai ocorrer no dia 26 de novembro, às 10 horas, na Sala de Eventos do IEA, com transmissão ao vivo pela web. O encontro terá exposições de Rodrigo Rodrigues da Fonseca (Finep) eMarcela Martinelli (Natura). A mediação será de Celso Fonseca (OIC-IEA).

Em 2014, ação conjunta da Finep e do BNDES resultou em um aporte de quase R$ 4 bilhões para o financiamento de projetos pelo Programa Inova Sustentabilidade. Foram aprovadas 167 propostas, apresentadas por 126 empresas. As boas perspectivas abertas pelo programa colocam desafios não apenas às empresas, de acordo com Celso Fonseca: “As universidades, com seu conhecimento e capacidade de pesquisa científica, com crescentes avanços em inovação, podem e devem estimular a conversão de parte dessas pesquisas em produtos, processos e serviços inovadores que gerem ou acelerem projetos de impacto social e ambiental”.

 

Fonte: Instituto de Estudos Avançados da USP

Fonte invisível e subvalorizada mas com potencial de alavancar o desenvolvimento econômico e social de muitos países é a economia energética. Há algum tempo, seria difícil pensar em eficiência energética nesses termos. Mas a ideia de “reduzir a demanda de energia e fazer mais com menos” tem se revelado uma tremenda oportunidade de turbinar a economia e alcançar metas de desenvolvimento.

O mercado de eficiência energética já atinge cifras vultosas. Em 2012, os investimentos globais no setor somaram US$ 300 bilhões, montante equivalente ao investido na geração de carvão, petróleo e gás em todo o mundo. É possível ir além.

Segundo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), os investimentos em eficiência energética podem gerar ganhos acumulados de US$ 18 trilhões até 2035, quase a soma das economias dos Estados Unidos e Canadá.

Em um estudo que reformula a discussão sobre o chamado “combustível escondido”, a AIE mostra como a eficiência energética tem potencial para apoiar o crescimento econômico, melhorar o desenvolvimento social, promover a sustentabilidade ambiental, garantir a segurança energética e ajudar a produzir riqueza.

A Agência sinaliza uma mudança da visão tradicional de eficiência energética – de uma simples “redução de demanda de energia” para a de uma estratégia de fornecimento de melhorias sociais e econômicas concretas.

Uma informação salta aos olhos: as economias geradas pela eficiência energética têm sido maior do que a fornecida a partir de qualquer energia outro combustível. Por isso, a AIE reconhece a eficiência energética como “primeiro combustível” com grande potencial inexplorado para muitos países.

Ganhos “escondidos”

A melhoria da eficiência energética pode trazer benefícios em todo o conjunto da economia, com impactos diretos e indiretos sobre a atividade econômica (medida através do produto interno bruto), emprego, balança comercial e também nos preços da energia bruta.

Em geral, segundo a AIE, a análise das mudanças do PIB devido a políticas de eficiência energética de grande escala mostram resultados positivos, com crescimento econômico que varia de 0,25% a 1,1% ao ano.

Nas indústrias, a energia é muitas vezes vista como um custo operacional. Assim, sua economia é percebida como benefício advindo de outros investimentos e não como geração central de valor.

No entanto, as medidas de eficiência energética industrial oferecem benefícios substanciais. A pesquisa mostra que cada dólar investido em eficiência pode trazer 2,5 vezes mais em ganhos de produtividade, reforçando a competitividade, rentabilidade e produção das empresas.

Outro exemplo vem do setor residencial: a adoção de medidas de eficiência energética na construção de casas ajuda a garantir equilíbrio no clima interno e controle da entrada de luz. São mudanças simples que deixam o ambiente mais saudável e podem melhorar drasticamente a saúde e bem-estar de seus moradores, reduzindo internações e afastamentos do trabalho por doenças.

Pressão sobre os recursos

A eficiência energética também se tornou um pilar de metas de desenvolvimento global, incluindo a de Energia Sustentável para Todos, das Nações Unidas. A demanda por energia elétrica deve aumentar em mais de um terço até 2035, com mais de metade deste crescimento vindo da China e da Índia. Além da preocupação com o meio ambiente e impactos sociais causados pelo uso intensivo das térmicas e das usinas nucleares, os países estão tentando diversificar suas fontes de energia, visando reduzir a dependência externa e mitigar os efeitos da flutuação dos preços.

Segundo o relatório da AIE, “em face da crescente demanda de energia, das projeções de crescimento global e da necessidade urgente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o mercado de eficiência energética pode desenvolver-se rapidamente, desde que os interessados compreendam o seu valor”.

Brasil na lanterninha

Como país emergente, o Brasil tem uma fome gigante por energia. Mas seus índices de perda e desperdício de eletricidade também são altos. O total desperdiçado, segundo o Procel, chega a 40 milhões de kW, ou a US$ 2,8 bilhões, por ano. Além disso, produtos como o 3TC são sub utilizados na construção civil para um isolamento térmico adequado que, aliado ao uso de ar condicionado, pode promover muita economia energética.

Em estudo que avaliou a eficiência energética de 16 importantes economias do mundo, o país ganha apenas do México. Segundo o estudo, feito pelo Conselho Americano para uma Economia de Energia Eficiente (Aceee), um país que usa menos energia para atingir um mesmo resultado, ou mesmo superá-lo, reduz custos e polui menos, criando uma economia mais competitiva.

 

Fonte: EXAME

Um estudo sobre os rumos da sustentabilidade no Brasil foi apresentado dia 17/11/2014 pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável. O trabalho intitulado Diretrizes Para uma Economia Verde apresenta indicadores para seis setores da atividade econômica sob o olhar da sustentabilidade. Os especialistas desenvolveram, ao longo de um ano, estudos sobre água, energia, transporte, resíduos sólidos, agricultura e mercado financeiro. Pela primeira vez, foram apresentadas metas quantitativas que podem balizar soluções a médio e longo prazos. A ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, contou que o estudo foi feito em torno de temas prioritários para o mundo e para o Brasil. A preocupação foi relacionar a mudança do clima com as políticas públicas e os novos modelos de desenvolvimento. “Os especialistas brasileiros de várias vertentes mostram os desafios que o Brasil tem, que é o desafio global de redução de emissões, além do desmatamento. Com base em dados da nossa economia, da nossa história de políticas públicas, [eles] começam a projetar quais seriam os possíveis caminhos a serem debatidos pelas cidades brasileiras e a serem tomados pelo Brasil em relação ao seu desenvolvimento”, disse a ministra. O professor da Universidade de São Paulo Oswaldo Lucón apresentou alguns indicadores com os quais a sociedade consegue acompanhar para que lado está indo o setor energético e a economia brasileira.

Para a professora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia Suzana Kahn os novos combustíveis e transporte coletivo são essenciais. “É o vetor de mudanças, porque a questão de congestionamentos, de mobilidade, de acidentes, enfim, são tantos outros problemas muito mais próximos ao cidadão do que clima, que se deve privilegiar, resolver esse tipo de problema. E as emissões [de gases de feito estufa], a redução das emissões vem como consequência”, contou Suzana.

 

Fonte: Agência Brasil

O estudo técnico “Aspectos da Construção Sustentável no Brasil e Promoção de Políticas Públicas”, encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), traz novas perspectivas para o avanço da sustentabilidade na construção civil. A pesquisa também foi realizada em parceria com?o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O estudo foi lançado durante o 7º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, em São Paulo (SP), organizado pelo CBCS e contou com a participação de representantes do setor público, da academia e do mercado.

O principal objetivo do estudo é servir de subsídio para que o governo federal desenvolva futuras políticas de promoção da construção civil sustentável, com recomendações para o aprimoramento do desempenho do setor. Confira a publicação completa.

A iniciativa faz parte dos preparativos para subsidiar a construção do 2º ciclo do Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS), que vai pautar as ações do governo, do setor produtivo e da sociedade no sentido de criar padrões mais sustentáveis de produção e consumo para o período de 2015 a 2018.

O 1º PPCS foi lançado pelo MMA, por meio do departamento de Produção e Consumo Sustentáveis, em 2011 e será concluído no final de 2014.

Enfoque

A publicação aborda, principalmente, as necessidades presentes e oportunidades do ramo. Além disso, ele propõe ações para eficiência energética, uso racional de água e destinação de materiais no ambiente construído.  O setor da construção tem alto consumo de recursos naturais e gera grandes volumes de resíduos. O Conselho Internacional da Construção (CIB) aponta a indústria da construção como o setor que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva. Estima-se que mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelo conjunto das atividades humanas sejam provenientes da construção.

Desafios

A publicação também aborda os desafios do setor, como a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o tema construção sustentável e eficiência térmica de materiais, além de realizar campanhas de esclarecimento à população, de desenvolver capacitações técnicas dos envolvidos, de criar ferramentas específicas, de disponibilizar novos incentivos e linhas de financiamentos e de demandar legislação e regulamentos específicos, como a ABNT NBR 15575.  Novas tecnologias de isolamento térmico e acústico como o 3TC deverão ser cada vez mais utilizadas nos processos construtivos, uma vez que eficiência energética e materiais com poucos resíduos serão valorizados e obrigatórios na construção pela eficiência e versatilidade.

 

Fonte: Ministério do Meio Ambiente