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Para permitir o progresso, a ciência desenvolve componentes e materiais que viabilizam diversas soluções. Ao falar em exploração do espaço, o Mylar é um dos itens relevantes. Em forma de película, é esse elemento que ajuda a resolver vários problemas de equipamentos que estão fora da atmosfera terrestre.

Muita gente não o conhece, mas ele se baseia em uma aplicação simples. Inclusive pode ser adotado no cotidiano e é capaz de gerar grandes benefícios quanto ao conforto térmico. Ao saber mais sobre ele, você tem a chance de explorar um dos recursos importantes para a ciência.

Para não ter dúvidas sobre esse elemento, vamos apresentar o que é o Mylar e por que ele tem tanta relevância. Confira!

O que e como essa película funciona?

Entender a composição dessa película é essencial para descobrir de que se trata. De forma simples, podemos dizer que o Mylar é uma espécie de filme de poliéster. Suas fibras de alta tecnologia são produzidas com polímero estirado. É, portanto, uma película feita com plástico trabalhado para criar fibras de baixa espessura e que se arranjam de um jeito específico.

Apesar de sua espessura bem fina, ele apresenta atuação diferenciada. Além de suportar grandes tensões, tem elevada estabilidade e boa resistência química. No entanto, sua maior característica é a refletividade.

O tratamento dado a essa película faz com que ela receba um aspecto metalizado. Isso garante a reflexão dos raios solares, que não conseguem penetrar nas fibras do material. Então, é uma forma de obter isolamento térmico.

Como foi o Mylar foi desenvolvido ?

O desenvolvimento do Mylar aconteceu após a consolidação do uso de polímeros na economia. Com a popularização dos polímeros, novas formas e soluções foram buscadas.

Na década de 1950, diversas indústrias norte-americanas começaram a trabalhar com o material. Após o estiramento das fibras plásticas, foi possível conquistar um resultado inicial em relação ao que existe hoje.

Em 1955, a película passou a ser usada em filmes fotográficos de escala comercial. Porém, foi nos anos seguintes que ganhou aplicações inovadoras — principalmente por conta da espessura finíssima em que foi empregada.

Qual a importância do Mylar para a Nasa?

O uso do Mylar ganhou força a partir da década 1960. Foi em 1964 que a Nasa utilizou o material com apenas micrômetros de espessura. O processo possibilitou o lançamento de um grande balão metálico que serviu como satélite.

Desde então, a película tem sido aprimorada e usada na agência. Foi diante desse cenário que surgiu o isolamento multicamadas (multi-layer insulation ou MLI, em inglês). Podemos dizer que é uma solução no estilo sanduíche: o Mylar é aplicado nas camadas externas e, no meio dele, há outros materiais que ajudam a garantir os bons resultados.

Esse conjunto é usado, principalmente, nas estações espaciais e nos satélites. A seguir, veja quais são os maiores benefícios da adoção da película na Nasa.

Isolamento térmico das estações espaciais

O objetivo do uso desse material é gerar isolamento térmico dos diversos componentes em órbita. Com a alta capacidade de reflexão, o Mylar impede o ganho de calor por conta da radiação solar. Graças à adoção da tecnologia MLI, ainda consegue prevenir processos de condução e convecção.

Como o ambiente pode ser um tanto hostil por causa das baixas temperaturas, o isolamento também é essencial para evitar a perda excessiva de calor. Além de garantir o funcionamento dos componentes em condições ótimas, é um jeito de manter o conforto dos astronautas.

Facilidade de manutenção

Outra razão para a utilização do Mylar é que ele tem facilidade elevada de aplicação e, portanto, de reparação. Caso ocorra alguma dificuldade ou um processo de perda ou ganho de calor, os próprios astronautas podem fazer os consertos necessários para manter a integridade da estrutura.

Em condições normais, ele não exige manutenção justamente por ser capaz de suportar grandes tensões. Mais que diminuir os custos, é um meio de obter máxima confiabilidade no projeto, o que também amplia a segurança.

Aumento de eficiência energética

Diante do isolamento térmico, a troca de calor pode ser impedida ou, ao menos, reduzida a níveis mínimos. Isso favorece o sistema de regulação de temperatura, o que permite manter a operação dentro dos níveis esperados.

É um jeito de aumentar o nível de eficiência energética, o que é importante para as estruturas espaciais. Com menor exigência de controle de temperatura, há menos riscos de sobreaquecimento ou congelamento de componentes ou de sobrecarga do sistema. Não é à toa que a Nasa utiliza esse componente como uma maneira de obter resultados melhores.

Excelente custo-benefício

A maior parte dos componentes de satélites e estações espaciais custa milhares ou até milhões de reais. Então, buscar soluções que contemplem as necessidades de maneira menos onerosa faz parte do desenvolvimento da Nasa.

Embora envolva muita tecnologia, a película feita com fibras de polímero pode ser considerada econômica — principalmente se avaliarmos o seu bom desempenho. Então, ela se transforma em uma alternativa especialmente atraente, eficiente e capaz de atender às necessidades.

E qual é a aplicação cotidiana?

Embora o Mylar seja essencial para a ciência e tenha empregos que vão ao espaço, ele também pode ser utilizado no cotidiano. Com uma aplicação comercial simplificada, oferece resultados tão positivos quanto aqueles obtidos em satélites e em estações espaciais.

É o caso de uma solução de isolamento térmico. Tanto em casos de mantas térmicas quanto de placas, o conceito se baseia no uso de camadas. Do lado de fora, o Mylar é aplicado para garantir a reflexão dos raios solares. Assim, é possível impedir o aquecimento por radiação, que é a maior vilã da transferência de calor.

Entre as camadas da película refletiva são adicionados componentes como o EPS, o qual forma uma barreira de ar. Isso impede a convecção e a condução, de modo a garantir o isolamento completo. De maneira simples, é como utilizar a proposta de uma garrafa térmica para deixar ambientes protegidos.

O Mylar é uma película refletiva de alta eficiência e que é essencial para a ciência. Otimizado e aplicado em grande escala pela Nasa, também pode fazer parte do seu cotidiano. Com um bom produto de isolamento térmico, podemos afirmar que surge a chance de explorar os resultados desse item.

Ainda tem alguma dúvida sobre o componente? Conte em nossos comentários e participe!

Entenda como o 3TC se assemelha às tecnologias desenvolvidas pela NASA na Estação Espacial Internacional.

O universo é um lugar de extremos: luz, escuro, cheio, vazio, muito ou pouco espaço, quente ou frio. A vida humana tende a florescer no equilíbrio desses extremos: nos adaptamos bem com nossas tecnologias, mas sentimos mais confortáveis em lugares onde as condições consideradas “ideais”. Em geral, a Terra encaixa-se perfeitamente nesse perfil: o planeta é bastante confortável desde que você fique longe do Pólo Sul e não cair em um vulcão. Porém, a mdernidade nos trouxe mais desafios. Agora os seres humanos avançam cada vez mais na exploração do espaço não como visitantes ou controlando máquinas remoatamente, mas como colonos e exploradores, e encontrar o equilíbrio certo para o conforto da vida humana é o maior desafio.

Analisando com mais detalhe a Estação Espacial Internacional (ISS) conseguimos entender de verdade como são empregadas as melhores tecnologias desenvolvidas pelos mais renomados cientistas, e claro: isolamento térmico é uma das mais importantes. Sem tecnologia de isolamento térmico apropriada, a temperatura da Estação Espacial ficaria de um lado com 121 graus e no outro lado 157 graus negativos, o que não seria nem um pouco agradável ou sustentável para os bravos astronautas conseguirem viver lá. Para comportar a tripulação, a Estação Espacial Internacional foi projetada e construída com isolamento e controle térmico de última geração, com o mesmo conteito empregado na fabricação do 3TC. Como resultado, o isolamento para a Estação Espacial Internacional não se parece com o tapete fofo como a lã de vidro e outros que lidam apenas com a condução, o isolamento da Estação tem que ser mais eficiente, leve e fácil de instalar e reparar. A tecnologia empregada é um isolamento multicamada altamente reflexivo (ou MLI em inglês) feita de camadas de Mylar, com vácuo no meio e protegida com dacron.

Acima, à esquerda: o isolamento comum fibroso. Acima, à direita: Isolamento Multicamada utilizado na Estação Espacial Internacional, feito com a mesma tecnologia 3TC. A malha de prata reflexivo é Mylar aluminizado. “O Mylar é aluminizado de modo que a radiação solar não passe”, explica Hong. “as camadas de vácuo são responsáveis por impedir a condução entre as camadas”, continuou ele. Exceto pelas janelas, a maior parte do ISS é coberto com o MLI bloqueando a radiação. “As janelas são um vazamento de calor enorme”, disse Hong, “mas os astronautas precisam deles para a ergonomia e também para suas pesquisas. É algo que temos que considerar no projeto de isolamento térmico.” Abaixo pode-se ver a Espação Espacial Internacional no espaço, com suas tecnologias de isolamento térmico e captação de energia solar visíveis.

 

Fonte: NASA