Alvenaria estrutural: o que é e quando usar

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Quer entender melhor o que é alvenaria estrutural? Empilhar pedras para construir muros e paredes é uma técnica que remonta a construção de grandes marcos históricos como as pirâmides, o Partenon, a Grande Muralha da China e a Catedral de Notre Dame.

Algumas dessas construções intrigam os arquitetos por ainda estarem como novas, passados tantos anos. Não há como negar que muitos desses sistemas construtivos utilizam paredes como estrutura.

Nesse caso, as camadas de pedra podiam ser empilhadas e fixadas com argamassa, cal, cimento e alguns materiais de origem animal.

Atualmente, as construções estruturais vêm sendo utilizadas devido aos seus aspectos estéticos e para garantir uma redução de custos.

Além disso, novas tecnologias permitiram que os projetistas criassem blocos fortes e leves o suficiente para facilitar o processo construtivo. Hoje, existem tijolos de cerâmica, concreto, cimento e calcário que podem ser utilizados em diferentes projetos.

Os blocos também podem ser moldados de forma a torná-los resistentes aos esforços de compressão e são perfurados para que recebam reforços estruturais, concreto, encanamento e dutos elétricos.

Quer entender melhor o que é alvenaria estrutural? Então, continue a leitura do post!

O que é alvenaria estrutural?

A alvenaria estrutural é um sistema construtivo no qual as paredes desempenham uma função estrutural, daí o nome.

Utilizando unidades de alvenaria dispostas de forma autoportante e portante, as paredes distribuem uniformemente a carga para a fundação e depois para o solo.

Empilhados em camadas, os tijolos ou blocos podem ou não ser conectados por um elemento de ligação (argamassa) e reforçados com estruturas metálicas, que aumentam as propriedades mecânicas da parede, dimensionada para resistir às forças ativas.

Quais são os outros sistemas construtivos?

Além da alvenaria estrutural, é possível utilizar diferentes sistemas em um projeto de construção.

Wood frame

O wood frame é um método muito utilizado nos Estados Unidos e na Europa. A estrutura é composta por perfis de madeira de reflorestamento, matéria prima renovável.

Já o fechamento é feito com chapas de OSB (Oriented Strand Board). Todo o material passa por um processo de tratamento que utiliza uma autoclave especial para madeiras. Esse processo é essencial para proteger a madeira do ataque de insetos e da umidade.

Construções de wood frame tem bom custo-benefício, geram baixo impacto ambiental e garante uma construção rápida e segura, pois as peças de madeira já chegam cortadas ao local da montagem.

Também dá para fazer o fechamento com chapas metálicas. Nesse caso, a construção precisará receber um bom sistema de isolamento térmico, como o 3TC. Vale observar ainda que o wood frame não usa água, o que deixa o canteiro limpo e organizado.

Como desvantagens desse método, vale mencionar a necessidade de contratar mão de obra especializada e a limitação no número de pavimentos na construção. Outro ponto de atenção diz respeito à impermeabilização da estrutura de fechamento.

Alvenaria de Embasamento

Nesse tipo de construção são utilizados dois tipos de tijolos: o de concreto e o maciço, que é o mais comum.

A alvenaria de embasamento pode ser utilizada em terrenos planos ou em espaços íngremes. No segundo caso, a construção é nivelada por vigas. A passagem de tubulações e outras estruturas de alimentação são feitas sem prejudicar o baldrame.

Como o nome indica, essa técnica construtiva fica na base do prédio, acima das vigas baldrame. Por isso, o material utilizado na construção deve garantir uma boa retenção de água.

O custo é calculado de acordo com o volume da construção, ou seja, depois que a profundidade, altura e espessura da fundação são determinadas pelo engenheiro calculista.

Alvenaria de vedação

Alvenaria de vedação

Também conhecida como alvenaria convencional, tem o objetivo de separar e vedar diferentes ambientes.

É bastante flexível pois, depois de pronta, dá para derrubar as paredes para construir espaços mais amplos ou vãos, conforme a necessidade de cada morador.

Casas de alvenaria convencional são mais fáceis de serem vendidas do que as estruturais, pois são mais conhecidas, e é mais fácil de fazer alterações em sua planta.

Os materiais de construção utilizados são bastante acessíveis e, em geral, a construção dura mais tempo que a de alvenaria estrutural. Para isso, no entanto, a manutenção deve ser feita corretamente.

Alvenaria ecológica

A alvenaria ecológica tem o objetivo de reaproveitar materiais e utilizar elementos “amigos do meio ambiente” como o bambu e a madeira reciclada.

Muitos projetos apostam ainda em tijolos ecológicos, material barato e de fácil fabricação. No processo de cura, são utilizados pó de mármore e cimento. Em seguida, as peças são prensadas.

Os tijolos são, então, borrifados com água. Depois disso, são curados por cinco dias antes que possam ser utilizados em uma construção.

Esse material ecológico é mais resistente que os tijolos tradicionais e dispensa o uso do cimento e da argamassa, pois as peças se encaixam umas às outras como peças de Lego. Um ponto que merece destaque é que a construção ecológica deve ser feita por profissionais capacitados.

E os tipos de alvenaria estrutural? Quais são?

Alvenaria estrutural
Alvenaria estrutural

Há dois tipos de alvenaria estrutural: armada e não armada.

A alvenaria estrutural armada é um processo no qual os tijolos são fortalecidos por uma armadura de aço.

As armaduras são colocadas nas cavidades dos blocos e preenchidas com graute – um concreto mais fluido usado para preenchimento. A alvenaria estrutural armada deve ser adotada em construções de muitos andares ou que precisarão suportar uma maior carga de peso.

Já a alvenaria estrutural não armada emprega paredes sem armação. Nesse caso, as estruturas metálicas são utilizadas somente nas cintas, vergas, contravergas, juntas de piso e na amarração das paredes. O objetivo é evitar fissuras e trincas ao longo da estrutura.

É mais comum em construções de pequeno porte como residências, escolas, prédios pequenos e centros comerciais.

Qual a diferença entre a alvenaria convencional e a alvenaria estrutural?

Construção tradicional

A alvenaria convencional é o método mais utilizado no Brasil. Você já deve ter passado por uma construção e observado um “esqueleto” de vigas e pilares, não é mesmo?

Isso ocorre porque nesse tipo de projeto os ambientes são separados por estruturas moldadas por madeira.

Uma construção deste tipo utiliza os materiais como concreto armado, tijolos, blocos cerâmicos vazados, ferragens nas vigas e pilares. A grande vantagem desse método é a possibilidade de criar espaços únicos e ousados, que atendam aos mais diversos estilos e gostos dos moradores.

No entanto, durante a construção pode haver problemas no prumo ou nível que devem ser corrigidos imediatamente. Além disso, há desperdício de material e há entulho em excesso, pois a tubulação é instalada depois que as paredes são construídas. Isso faz com que haja necessidade de utilizar muita argamassa.

Outro ponto negativo? Projetos de alvenaria convencional demoram mais para serem concluídos que os de alvenaria estrutural. Para começar, é preciso aguardar duas semanas para retirar as formas de escoramento.

Alvenaria estrutural

A alvenaria estrutural é resistente às variações climáticas e permite construir casas e edifícios de vários andares. A primeira construção brasileira com essa tecnologia foi concluída na década de 60. Com 4 prédios de 12 andares, o espaço ainda hoje pode ser visto no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro.

No entanto, o método só ganhou força na década de 90 quando se tornou mais fácil encontrar blocos de concreto e a crise no setor da construção civil tornou necessário apostar em projetos mais econômicos.

As principais características desse modelo construtivo são as seguintes:

  • Economia na instalação da rede hidráulica e elétrica, que é feita durante a construção das paredes,
  • Redução do uso de cimento, madeira e concreto e do tempo de construção,
  • Possibilidade de prever os gastos com antecedência,
  • Necessidade de realizar cálculos estruturais,
  • É ideal para terrenos planos.

A alvenaria estrutural, no entanto, apresenta alguns desafios. Quer um exemplo? Não dá para alterar o projeto depois de pronto, pois as paredes não podem ser removidas.

Quais as características do material utilizado na alvenaria estrutural?

O material utilizado em um projeto de alvenaria estrutural deve ser aprovado pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Isso garantirá a qualidade do projeto.

Por exemplo, os blocos usados devem ser de qualidade e fabricados de acordo com as especificações técnicas. Além disso, o material não pode ter trincas, fissuras ou rachaduras.

Os blocos devem apresentar, ainda, as seguintes características:

  • Capacidade máxima de absorção de 10%,
  • Boa capacidade de compressão e torção,
  • Bom isolamento termoacústico,
  • Resistência ao fogo,
  • Boa durabilidade.

Quais tipos de blocos podem ser utilizados em um projeto de construção?

Diferentes tipos de blocos podem ser utilizados na construção de casas e prédios estruturais. No entanto, cada um tem uma determinada função.

Os vazados de concreto simples, por exemplo, são utilizados para vedar os diferentes ambientes da construção. Também dá para usá-los quando as paredes não têm função estrutural.

Há ainda os blocos tipo calha, que devem ser reforçados com materiais como cimento ou concreto. Existem também os blocos que são encaixados nas lajes. Nesse caso, o material repousa sobre uma extremidade, proporcionando travamento estrutural e um bom acabamento.

Como os blocos possuem grande regularidade dimensional, isso melhora muito a eficiência do projeto e o sucesso da execução da obra.

Vale observar que todos esses materiais obedecem a NBR 6136/1994 e podem ser vazados para facilitar a passagem das instalações elétrica e hidráulica.

E na alvenaria tradicional? Quais tijolos podem ser utilizados?

Há muitas opções de blocos que podem ser utilizados em um projeto de construção ou reforma. Entre eles, vale destacar:

  • Bloco cerâmico: são os mais comuns. Feitos de argila ou de barro, são encontrados em diferentes formatos. Há modelos vazados e não vazados, que podem ser utilizados na construção de paredes, muros, churrasqueiras e nos mais variados projetos.
  • Bloco de concreto: Pode ser utilizado em construções de pequeno ou de grande porte. Fabricados com cimento Portland passam por um rígido controle de qualidade. Geralmente são vazados e podem ser encontrados em diferentes tamanhos e formatos.
  • Blocos de concreto celular: Fabricados com sílica, cal ou cimento, são leves, resistentes e duráveis. São ideais para a construção de espaços grandes ou pequenos.
  • Pedras: Podem ser usadas na estrutura ou no acabamento. São muito duráveis e contribuem para a maior qualidade da obra.
  • Bloco de vidro: O vidro é utilizado para fins estéticos, como acabamento. A maior vantagem desse material é que ele permite um maior aproveitamento da luz natural o que torna os espaços mais bonitos e aconchegantes.
  • Bloco solo-cimento: É mais utilizado em “construções verdes”. O material utilizado na fabricação pode ser recolhido no próprio local da obra, o que diminui o custo da construção.
  • Bloco de silício-calcário: São duráveis e resistentes. Fabricados com cal e quartzo, dispensam o revestimento.
  • Blocos ecológicos: Podem ser fabricados com garrafa pet, fibras vegetais, materiais biodegradáveis e aparas de papel. Alguns blocos são fabricados com restos de construções. Muitas vezes, dispensam a argamassa.

Onde utilizar a alvenaria estrutural?

A alvenaria estrutural pode ser utilizada em projetos de grande ou de pequeno porte. Em projetos residenciais, por exemplo, é uma boa opção para a construção de casas de poucos andares ou prédios de até 15 pavimentos, sobrados e imóveis populares.

Para construir edifícios de mais de 15 andares é preciso grautear os blocos. Essa técnica consiste em preencher os furos dos blocos com cimento, areia, pedrisco e bastante água. O objetivo é conferir maior estabilidade à estrutura para compensar as tensões da base do imóvel.

E em construções comerciais? A alvenaria estrutural é ideal para construir imóveis de pequeno e de médio porte como escolas, centros comerciais e postos de saúde.

Quais cuidados observar em um projeto de alvenaria estrutural?

Vai optar pela arquitetura estrutural? Então, lembre-se de tomar alguns cuidados: isso garantirá o melhor resultado possível. Por exemplo, para evitar rachaduras em portas e janelas ou outros problemas que possam comprometer a estrutura, o projeto deve ser revisado por um calculista.

Além de prever os locais das amarrações feitas com barras de aço e concreto, o cálculo do projeto tem que prever onde as aberturas devem ficar. O projeto tem que observar ainda o como as paredes devem ser construídas para que a carga seja bem distribuída.

Mas alguma coisa a considerar? Sim. É preciso considerar a densidade das paredes estruturais por m² de pavimento. Sendo assim, deve-se ter entre 0,5 e 0,7 metros de paredes estruturais para cada m² de pavimento. Estruturas mais ou menos densas podem comprometer a construção, causando problemas futuros para os moradores.

Quando vale a pena usar a alvenaria estrutural?

É uma boa ideia utilizar a alvenaria estrutural para construir casas iguais em um mesmo espaço. Nesse caso, dá para reduzir o custo da obra em mais de 30% já que a compra dos materiais de construção pode ser feita em maior escala.

Em áreas íngremes e acidentadas, o melhor é optar pela alvenaria tradicional. Já nos terrenos planos onde é mais fácil manter o prumo das paredes dá para utilizar tanto a alvenaria estrutural como a tradicional.

Projetos contemporâneos, industriais ou quando há a intenção de deixar os tijolos à mostra também podem utilizar a alvenaria estrutural. Como não há pilares a mostra, a estética da construção ficará mais interessante.

Quando não vale a pena optar pela alvenaria estrutural?

Quem opta por uma construção de alvenaria estrutural não consegue alterar as características do imóvel depois. Ou seja, não dá para construir um segundo andar ou criar um espaço aberto, já que são as paredes que mantêm a construção de pé.

Além disso, portas e janelas exigem reforços na estrutura e a construção dos vãos devem observar o cálculo estrutural do projeto. Por isso, esse tipo de projeto não dispensa um calculista.

Vale observar ainda que pode ser difícil vender o imóvel, já que muitas pessoas preferem uma casa tradicional onde é mais fácil quebrar as paredes e mudar portas e janelas de lugar com certa facilidade.

Exemplos de construções que utilizam a alvenaria estrutural

A alvenaria estrutural tem outra característica: a modulação da planta se repete em todas as unidades. É o que acontece no conjunto COPROMO da assessoria técnica da Usina CTAH.

O projeto foi construído com bloco cerâmico estrutural, material leve e resistente muito utilizado em projetos de prédios comerciais da década de 1990. Nessa construção, a composição do pavimento tipo se repete em todos os andares, mantendo uma lógica construtiva que dá identidade ao projeto.

Casa estrutural

A alvenaria estrutural também pode ser utilizada em projetos onde a tônica é a facilidade de execução. Nesse caso, pode ser preciso adaptar o projeto arquitetônico às dimensões dos materiais utilizados. Ou seja, a lógica projetual visa conectar o projeto a sua realidade construtiva.

SEHAB Heliópolis

Quer um exemplo? Temos a SEHAB Heliópolis, construída pela Biselli Katchborian Arquitetos em São Paulo dentro do Programa de Reurbanização de Favelas da Prefeitura do Município de São Paulo, através da Secretaria de Habitação, que conta com 420 unidades de apartamentos com duas tipologias.

Aqui, os edifícios de seis pavimentos são modulados a partir da planta. As unidades pares têm quartos e banheiros voltados para o lado direito e a outra metade para o lado esquerdo.

Casa na encosta

Outra vantagem desse método construtivo é a integração dos elementos estruturais com a arquitetura. É o caso da Casa de Meia Encosta dos arquitetos Denis Joelsons e Gabriela Baraúna Uchida. Para vencer a topografia acidentada, o projeto previa a construção de muros de arrimo com blocos cerâmicos.

A estrutura que corta a casa ao meio dá charme ao projeto pois não exibe vigas e nem pilares.

Essa solução também permite a criação de estruturas mistas com vigas e pilares metálicos que compõem um visual moderno e despojado.

Uma das desvantagens da alvenaria estrutural é a impossibilidade de alterar as plantas. No entanto, algumas vezes dá para subtrair as paredes ao colocar uma viga no local para reforçar a estrutura. Nesse caso, a reforma deve ser acompanhada por um engenheiro.

No entanto, alguns projetos podem deixar o espaço mais flexível mesmo utilizando a alvenaria estrutural. É o caso dos Galpões CL / VAGA, que utilizam planos estruturados modulados que exibem vãos que dispensam estruturas complexas. Os apoios da cobertura da laje do mezanino criam espaços livres que se destinam às mais diversas atividades.

Fábrica de blocos

Já a Sede de uma Fábrica de Blocos / Vão também conta com espaços amplos que podem ser utilizados para diversas atividades administrativas.

O projeto que não utiliza argamassa foi inspirado nos pallets utilizados para o transporte e armazenamento de blocos. Explora ainda diferentes relações entre altura, peso e superfície de contato dos empilhamentos de modo a aproveitar as características dos elementos construtivos.

Vale citar ainda o edifício Monadnock em Chicago. Construído em 1891, segue pleno funcionamento. Os grandes destaques do projeto são a fachada sóbria e o tamanho considerado bastante ousado na época – 16 andares.

Construído com base de granito e tijolos cerâmicos, o edifício Monadnock é o primeiro arranha-céu construído com alvenaria estrutural. Para suportar toda a carga, as paredes da base são mais amplas que as do topo.

Os edifícios modernos, no entanto, são mais leves, por isso, em geral, tem mais andares. A arquitetura modular permite ainda a criação de projetos arquitetônicos racionais, com orçamento enxuto.

Como você viu, a alvenaria estrutural tem vantagens e desvantagens. Entre as vantagens vale mencionar a economia de material e a baixa geração de entulho.

Já entre as desvantagens, estão a baixa flexibilidade da planta e a impossibilidade de quebrar paredes ou construir um andar extra.

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