Neste artigo, consideramos as implicações de uma transformação digital para a produção agrícola. Diante disso muito tem sido discutida a agricultura 5.0, que tem a promessa de revolucionar a forma como produzimos os alimentos. Ela impactará não apenas na produtividade, como melhorará a qualidade e o impacto ambiental.

Mas, afinal, o que é a agricultura 5.0? E como surgiu este conceito? Saiba mais lendo aqui!

História da agricultura 5.0

Foi durante um evento da Alltech ONE Virtual Experience, que o empresário Robert Saik comentou sobre práticas agrícolas tecnológicas a serem aplicadas em uma nova era da agricultura. Para ficar mais claro, vamos falar das 5 eras da agricultura.

Agricultura 1.0

A “Era do Músculo”, isto é, quando a agricultura estava baseada na produção de alimentos, por demanda e necessários à sobrevivência social.

Agricultura 2.0

A “Era da Máquina”, no processo histórico da Revolução Industrial, quando a industrialização trouxe benefícios mudando radicalmente o modo de vida social.

Agricultura 3.0

A “Era da Química”, com a orientação de produtos agroquímicos, o que gerou um ápice entre os anos 60 e 80.

agricultura 5.0

Agricultura 4.0

A “Era da Biotecnologia/Genética”, que a partir dos anos 90, surge como culturas geneticamente modificadas, tolerantes a herbicidas.

Agricultura 5.0

A “Era da Convergência”, onde entraria pela adoção em grande escala de tecnologias e conectividade.

Segundo Robert Saik, o futuro está cada vez mais inter-relacionado ao conceito de machine learning, juntamente com a gestão de dados.

A agricultura 5.0 oferece a capacidade de utilizar a tecnologia para converter dados precisos em conhecimento para conduzir e apoiar a tomada de decisões complexas.

Portanto, as tecnologias inteligentes conseguirão oferecer informações locais específicas aos agricultores. E com isso, eles podem tomar decisões mais assertivas.

Como tal, a agricultura 5.0 reflete uma mudança do gerenciamento generalizado de recursos agrícolas para um gerenciamento altamente otimizado, individualizado, em tempo real e hiperconectado.

Assim, temos três pilares da agricultura digital: robótica, sensores e plataformas de Big Data. A análise de dados e o suporte à decisão são fundamentais para a agricultura digital. No entanto, também pode haver dificuldade para interpretar ou fazer uso deles em decorrência de seu volume e complexidade.

Apesar desses desafios, existem vários exemplos de tecnologias disponíveis, desde soluções de software de gerenciamento de fazendas até ferramentas de suporte à decisão, que mostram como as capacidades analíticas estão avançando.

A extensão em que a agricultura digital irá habilitar esses processos de rede é uma consideração importante. Os sistemas inteligentes formalizam e transferem seu conhecimento e apoio a outros agricultores na tomada de decisões cotidiana.

Com isso, muitos agricultores começaram a se mobilizar e se organizar — por exemplo, em cooperativas, comunidades online, para criar e compartilhar know-how, tecnologias e experiências de compreensão de big data.

 

A transição da revolução agrícola para a Agricultura 5.0

O desafio de alimentar o futuro é frequentemente visto no contexto global de crescimento populacional e no número crescente de consumidores. Esses fatores sugerem que a agricultura deve se tornar 70% mais produtiva até 2050.

Se os agricultores falharem nessa tarefa, pode-se prever grandes problemas sociais e políticos. Além do desafio de produzir mais alimentos e, ao mesmo tempo cuidar da saúde do planeta, outros fatores-chave devem ser considerados.

Hoje, o número de pessoas com fome e obesas está aumentando. Doenças crônicas como diabetes e infarto estão entre os maiores problemas de saúde pública, e 30% dos alimentos do mundo são desperdiçados. No entanto, há boas notícias.

Se todos mudassem para as dietas recomendadas, não apenas seríamos mais saudáveis, mas também precisaríamos de menos terras aráveis. E isso deveria significar mais espaço para a biodiversidade.

Quando todos esses fatores são considerados, a agricultura 5.0 precisa abranger pelo menos, os recursos a seguir.

Primeiro, precisamos produzir mais alimentos em menos terra e com menos insumos, o que permitirá que os agricultores se tornem mais produtivos enquanto reduzem a pegada ambiental da agricultura.

Isso nos leva ao nosso segundo ponto, onde as tecnologias da revolução agrícola digital não são uma panaceia. Em particular, um enfoque na capacitação de gênero, acesso a mercados e ferramentas de baixo custo poderia ser mais eficaz na promoção da segurança alimentar em algumas regiões do mundo.

Terceiro, devemos enfrentar o desperdício e a distribuição de alimentos. Ambos serão difíceis de resolver. Quaisquer propostas para lidar com o desperdício de alimentos, por exemplo, devem considerar que as razões pelas quais os alimentos são perdidos variam radicalmente de um lugar para outro.

Em alguns locais, o desperdício de alimentos ocorre principalmente na fazenda como resultado de práticas de armazenamento ineficientes. Nas partes mais ricas do mundo, o desperdício de alimentos é um problema causado por supermercados, restaurantes e residências.

Assim, à medida que os países ficam ricos o suficiente, começam a investir em instalações de armazenamento de alimentos nas fazendas para reduzir a perda de alimentos.

E em quarto lugar, qualquer consideração sobre como alimentar o futuro deve incluir a compreensão do impacto que as escolhas alimentares têm no planeta.

 

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Agricultura 5.0: o papel da inteligência artificial, IoT & aprendizado de máquina

O “machine learning” fornece uma visão geral integrativa dos últimos desenvolvimentos no domínio da agricultura. Na verdade, vem mostrando como as práticas agrícolas tradicionais estão sendo aprimoradas e modificadas pela automação pela introdução de soluções tecnológicas:

  • ​reduzindo os riscos;
  • aumentando a sustentabilidade;
  • fornecendo decisões preditivas ao agricultor;
  • tornando a agricultura mais produtiva.

Desta forma, uma abordagem é usada para destacar a aplicabilidade e adoção de tecnologias e técnicas essenciais, em atividades agronômicas que vão desde a coleta de informações, análise e extração de insights significativos.

Porém, é geralmente aceito que a agricultura 5.0 proporcionará uma mudança radical em eficiência, produtividade e sustentabilidade, tanto no nível da fazenda quanto em toda a cadeia produtiva. Por outro lado, os sistemas de detecção e análises podem fornecer aos produtores melhores informações para tomar decisões mais oportunas com resultados mais previsíveis.

Assim, com os rápidos desenvolvimentos na Internet das Coisas (IoT), computação em nuvem, robótica e inteligência artificial estão acelerando a transição para a agricultura inteligente, a agricultura de precisão melhora a sustentabilidade. A expectativa é que as abordagens de agricultura 5.0 inteligente irão, em última instância, melhorar a aprendizagem social.

No entanto, embora esta quinta onda de revolução agrícola traga a promessa de ganhos múltiplos, também traz consigo questões técnicas, sociais, econômicas, éticas e práticas. Isto, com implicações significativas para a forma como a agricultura comercial é estruturada, praticada e governada.

Desta forma, os aplicativos e plataformas digitais têm o potencial de mudar drasticamente a maneira como o conhecimento é processado, comunicado, acessado e utilizado. Para os agricultores, os aplicativos digitais fornecerão recursos de tomada de decisão que antes não eram possíveis.

À medida que as máquinas inteligentes e as redes de sensores aumentam nas fazendas, os processos agrícolas se tornarão cada vez mais orientados e habilitados para dados.

Aprendendo com o passado para informar o futuro

Embora possa parecer ambicioso argumentar que a próxima revolução agrícola deve combinar melhor ciência e tecnologia com equidade social e sustentabilidade, há fortes antecedentes de pessoas que defenderam tais posições no passado.

Acreditamos firmemente que a humanidade precisa de uma nova revolução agrícola que esteja centrada em reconciliar a necessidade de produzir nutrição suficiente para a crescente população humana com nossa necessidade de respeitar melhor a saúde planetária.

Esta nova revolução, assim como as anteriores, envolverá tecnologias que remodelarão a forma como os produtores trazem os produtos ao mercado, o armazenam e mudam as dietas dos consumidores.

Você acha  que a análise acurada dos dados pode revolucionar a agricultura? Deixe sua opinião nos comentários!

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