Precisamos conversar sobre o desmatamento

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Vamos falar sobre desmatamento. Algumas pessoas perguntam: “qual é o problema do desmatamento? As árvores voltam a crescer, certo?” Bem, não é tão simples. E em nosso artigo, não apenas vamos tratar o porquê disso como também os impactos profundos que o desmatamento ocasiona em nossas vidas.

Quando falamos sobre desmatamento, geralmente nos referimos à extração de madeira ou corte de árvores para agricultura e habitação humana. Se uma seção da floresta tropical, por exemplo, for cortada e deixada sozinha, pode levar apenas algumas décadas para crescer novamente. Porém, milhares de anos se passarão antes que ele retorne à sua forma original, de acordo com estudos realizados na Mata Atlântica brasileira e no Panamá.

As florestas em suas várias formas cobrem 31% ou 4 bilhões de hectares da superfície terrestre do mundo. Além disso, cerca de 45.000 milhas (ca. 72.420 km) quadradas de floresta são perdidas a cada ano. De acordo com a BBC, a cada minuto uma área equivalente a um campo de futebol é perdida.

Além disso, muitas árvores não voltam a crescer. Isso porque grande parte da área desmatada dá lugar à agricultura, pastagens de gado ou desenvolvimento humano.

Importância de falar sobre desmatamento

As florestas fornecem habitat para pessoas e vida selvagem. Eles são o lar de alguns dos animais mais ameaçados do mundo. Quando as terras são desmatadas, as comunidades vizinhas também sofrem mudanças nas chuvas e podem enfrentar a escassez de água. Isso porque a exuberante copa das árvores ajuda a evaporar a água subterrânea que gera a chuva.

Desta forma, as florestas também controlam o escoamento da água, filtram-na e evitam a erosão do solo. Sem a força estabilizadora das raízes, o solo pode ser simplesmente lavado ou soprado, levando a deslizamentos de terra ou expansão do deserto.

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Elas também são importantes dentro de uma perspectiva global porque são a primeira linha natural de defesa contra o dióxido de carbono, que as árvores absorvem. Quando uma árvore é cortada, o carbono retorna à atmosfera. Cerca de 15% das emissões de gases de efeito estufa são o resultado do desmatamento que, por sua vez, contribui para o aquecimento global e mudanças nos padrões do clima.

Por exemplo, a floresta amazônica desempenha um papel crucial no armazenamento de carbono e na prevenção das mudanças climáticas. Mas, em 2021, viu a maior perda de árvores desde 2008.

A extração industrial também está desempenhando um papel importante. Estradas madeireiras abriram áreas antes intocadas na floresta. Isso, por sua vez, afeta as comunidades indígenas que vivem nas regiões.

A África, por sua vez, também não está imune ao desmatamento. A Bacia do Congo é o coração verde do continente. Ele contém cerca de 20% das florestas tropicais do mundo e é um dos ecossistemas mais importantes do planeta. Embora as taxas de desmatamento tenham sido as mais baixas de qualquer outra grande região florestal do mundo desde a década de 1990, as ameaças são abundantes.

O corte raso para agricultura de subsistência em pequena escala, carvão, combustível, desenvolvimento urbano e mineração estão causando o desmatamento naquela floresta tropical.

Nos últimos anos, ganhamos um terreno significativo ao fazer com que grandes empresas adotassem modelos de negócios que não prejudiquem as florestas.

Você pode pensar que isso significa que o desmatamento está começando a ser uma coisa do passado.

Queremos que seja. Infelizmente, as ameaças às florestas só aumentam. Só em 2021, a taxa de desmatamento na Amazônia brasileira aumentou pela primeira vez desde 2008.

O desmatamento não é apenas uma questão ambiental. É um problema de todos.

Aqui estão seis razões pelas quais devemos estar preocupados com a redução de nossas florestas.

1. A perda florestal só aumenta

Embora ainda cubram cerca de 30% da área terrestre, perdemos uma área aproximadamente equivalente ao tamanho do Panamá em áreas florestais a cada ano. Nesse ritmo, não haveria mais floresta por volta de 2100.

Mesmo onde as florestas são protegidas no papel, elas não são protegidas na realidade. Algo entre 15 e 30% do comércio global de madeira é extraído ilegalmente. Em países onde o monitoramento é difícil, até 90% das exportações de madeira são ilegais. Então, sim, ainda está acontecendo e é grave a situação.

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2. As florestas abrigam 200 milhões de pessoas

desmatamento

Outros 1,4 bilhão de pessoas dependem diretamente dos produtos florestais para sua sobrevivência. Com práticas de desmatamento para produtos como o óleo de palma, o deslocamento de comunidades florestais é galopante e o conflito entre empresas e comunidades tem sido muito comum. O desmatamento ameaça privar quase um quarto dos humanos no planeta de suas casas ou meios de subsistência.

3. Biodiversidade

Até 80% da biodiversidade terrestre, ou seja, a grande maioria de todas as espécies de plantas terrestres e animais vivem nas florestas. O desmatamento e a destruição do habitat florestal são a principal causa de extinção no planeta.

Sim, a mudança climática está causando um grande impacto, mas não se engane, o corte direto da floresta ainda é a razão número um de estarmos vivendo a sexta grande extinção.

4. A mudança climática

Ela é em parte causada pelo desmatamento. Tentar separar o desmatamento e as mudanças climáticas não funcionará. Árvores, plantas e solos florestais armazenam grandes quantidades de carbono. Quando as florestas são cortadas, esse poderoso reservatório de carbono se torna inútil.

O carbono armazenado é liberado na forma de CO2 e metano. Além disso, a capacidade das florestas de puxar os gases de efeito estufa da atmosfera é perdida à medida que as florestas são cortadas.

5. Ecossistemas

As florestas fornecem funções ecossistêmicas, culturais e econômicas insubstituíveis, algumas das quais conhecemos, outras que ainda não descobrimos. Além de armazenar todo esse carbono (e trocar CO2 pelo oxigênio que respiramos), as florestas desempenham outros papéis vitais que tornam a vida possível.

As florestas desempenham um papel fundamental no ciclo hidrológico, interceptando e regulando as chuvas e as inundações. Elas detêm um valor que não pode ser usado por ninguém ou qualquer coisa, apenas por sua própria natureza.

Desmatamento no Brasil

O desmatamento sem o consentimento das comunidades florestais locais agrava o conflito social e a violência. Frequentemente, o setor de pecuária no Brasil e o setor de óleo de palma no sudeste da Ásia, ambos os principais motores do desmatamento, também são as principais fontes de incidentes relatados de trabalho forçado e conflito social.

E a Amazônia brasileira é um campo de batalha icônico desses conflitos. Nos últimos trinta anos, cerca de 18% da Amazônia brasileira foi perdida. A maioria dessas terras não foi substituída por novas florestas, mas por pastagens para gado.

Embora o desmatamento tenha diminuído no Brasil na última década ou mais, o governo brasileiro recentemente relaxou as regras sobre o desmatamento e limitou a capacidade dos órgãos ambientais federais que fazem cumprir essas regras.

Assim, segundo a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), a expansão da agricultura causou cerca de 80% do desmatamento global, com a construção de infraestruturas como estradas ou barragens, com atividades de mineração e urbanização, compondo as restantes causas do desmatamento.

Desde a década de 1960, a floresta amazônica está ameaçada, e quase 760.000 km² (cerca de 20% de seu tamanho original) de área florestal foram perdidos. Antes da década de 1980, grandes projetos industriais como barragens, estradas ou minas eram as principais causas do desmatamento na região amazônica, com a agricultura de subsistência.

Porém, há cerca de trinta anos, as causas do desmatamento na floresta amazônica estão mudando. Por quê?

Segundo diversos relatórios sobre o assunto (FAO), a pecuária, incluindo a produção de soja, é responsável por cerca de 70% a 80% do desmatamento na região amazônica. O desenvolvimento da pecuária intensiva, aliado ao aumento do consumo de carne nos países desenvolvidos, é, portanto, a principal causa do desmatamento na floresta amazônica.

O que podemos fazer sobre o desmatamento?

#1 Plantar mais árvores. A estratégia mais direta para combater o desmatamento é o plantio, que pode ser considerado um investimento vitalício.

#2 Usar menos papel. Milhões de árvores são cortadas todos os dias apenas para suprir a demanda de papel no mundo.

#3 Reciclar papel e papelão. Toneladas de papel de reciclagem evita o corte de centenas de árvores.

#4 Usar e consumir produtos reciclados. É possível usar papel reciclado em muitos outros itens de uso diário, como livros, sacos de papel, embalagens de ovos e até papel higiênico.

#5 Comprar apenas produtos de madeira sustentáveis. Ajuda a reduzir a demanda por mais extração de madeira (especialmente extração ilegal de madeira).

#6 Reduzir o consumo de carne. Para produzir a mesma quantidade de proteína da agricultura animal, são necessárias áreas de terra muito maiores em comparação com a agricultura baseada em plantas.

Se os países começarem a adotar os comportamentos mencionados acima para ajudar a conter o desmatamento, eles podem dar o exemplo. Em um depoimento dado este mês, o enviado do governo Biden dos EUA defendeu a importância de implementar mais acordos com os governos.

Economicamente falando, se as políticas internacionais e as pressões ambientalistas crescerem, regras começarão a ser impostas e não será necessário abrir mais espaço para extrair recursos naturais. Ter infraestruturas para recursos, repensar a lógica do consumo e respeitar o meio ambiente, é possível.

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